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Segunda servidão

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Um camponês deixando seu senhor no dia de Yuriev, por Sergei V. Ivanov

A Segunda Servidão, ou refeudalização, refere-se ao fenômeno do surgimento, reintrodução ou intensificação do regime de trabalho servil, ocorrido entre os séculos XV e XIX,[1] em regiões da Europa Oriental, em contraste com o declínio da servidão na Europa Ocidental, que passava pela emergência do modo de produção capitalista.

Características

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A Segunda Servidão foi caracterizada pelo aumento massivo das corveias[1] e pelas limitações de deslocamento[2] da população camponesa. Utilizava-se do sistema feudal agrário europeu conhecido como Gutsherrschaft, no qual o trabalho camponês era realizado em grandes latifúndios senhoriais, durante vários dias da semana, por meio da obrigação senhorial corveia — o serviço gratuito prestado ao senhor. Tal modelo contrasta com o sistema feudal ocidental conhecido como Grundherrschaft (chamado de seigneurie na França e de manoir na Inglaterra), no qual o camponês pagava ao senhor rendas a partir de sua produção e prestava corveias reduzidas, podendo assim produzir para subsistência, troca ou venda.[3]

A Segunda Servidão é geralmente associada ao aumento da demanda por grãos no Oeste da Europa.[4] Essa demanda teria sido suprida por meio de intensa exportação, viabilizada pela maior exploração da mão de obra camponesa. Para alguns historiadores como Sergey D. Skazkine e Robert Brenner, a Segunda Servidão é explicada pelo desenvolvimento mais fraco das cidades, o que as deixou vulneráveis ao domínio senhorial.[5]

Onde ocorreu

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O fenômeno manifestou-se nos países a leste do rio Elba, incluindo Prússia, Polônia, Rússia, Boêmia, Hungria e Romênia.

Fim da Segunda Servidão

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A Segunda Servidão perdurou por muitos séculos no Leste Europeu. A Rússia aboliu a servidão formalmente em 1861, em que pese ainda persistirem relações feudais no campo nos anos seguintes.[6]

Referências

  1. 1 2 Do Feudalismo Ao Capitalismo. [S.l.]: Editora Contexto. 22 de fevereiro de 2022
  2. Tom Raster, Tom (2 de junho de 2019). «Serfs and the Market: Second Serfdom and the East-West goods exchange, 1579-1857» (PDF)
  3. Silva, Lígia Osório (30 de maio de 2013). «Introdução à segunda servidão no Leste». Crítica Marxista (36): 55–61. ISSN 2966-0165. doi:10.53000/cma.v20i36.19371. Consultado em 7 de julho de 2025
  4. Dobb, Maurice Hebert (1983). A Evolução do Capitalismo. São Paulo: Abril Cultural. p. 29-30
  5. Aston, T. H.; Philpin, C. H. E., eds. (1985). The Brenner debate: agrarian class structure and economic development in pre-industrial Europe. Col: Past and present publications. Cambridge [Cambridgeshire] ; New York: Cambridge University Press
  6. Anderson, Perry (2004). Linhagens do Estado absolutista. São Paulo: Brasiliense. p. 348. ISBN 85-11-13049-7